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 UNIVERSO DE MEMÓRIAS 

 JOÃO CARLOS ABREU 

             

 

 

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"Este é um "universo de memórias" que fui construindo conscientemente durante cinquenta anos, sem qualquer objectivo que não fosse o de me rodear de objectos e livros que me acompanhassem num percurso de vida que nunca imaginei tão longo.

Estes objectos, comprei-os durante uma vida com os meus salários e valem pelas histórias e pelos anos da sua vivência. Muitos deles, ligados ao meu percurso de quarenta anos ao serviço do Turismo, sempre numa envolvência de pessoas e países que muito me enriqueceram." 

Funchal, 1 de Setembro de 2003
João Carlos Nunes Abreu

A colecção de João Carlos Abreu, hoje pertença da Região Autónoma da Madeira, é uma colecção que difere das demais pela conjugação de quatro aspectos heterogéneos relacionados com os objectos do seu acervo – a origem, a qualidade, a quantidade e a antiguidade.

A origem, porque grande parte das peças foi adquirida durante viagens e, sabendo que já visitou cerca de 60 países, não é difícil contabilizar a variedade de proveniências. A qualidade, na medida em que existem peças muito boas, certificadas por antiquários qualificados e peças de boa e menos boa qualidade. A quantidade porque considerámos 14000,um número bastante significativo, e a antiguidade uma vez que a peça mais antiga está atribuída ao século XI e a mais recente a 2007. De referir que João Carlos Abreu continua a doar as peças que adquire ao Universo de Memórias.

Esta variedade de vivências materializadas, fragmentadas e acumuladas, dá-nos a conhecer a visão de um madeirense que, sendo cidadão do mundo, mantém bem fortes as suas raízes à terra que o viu nascer.

Esta é, pois, uma colecção muito sui generis constituída por várias colecções. Todos os objectos têm em comum o facto de pertencerem às vivências de um só coleccionador e, portanto, serem uma prova viva das suas memórias…das suas viagens de trabalho e lazer, da sua estada em Roma como estudante e jornalista, da sua breve passagem por Inglaterra e Suiça como estagiário na área hoteleira, dos 50 anos ligados ao turismo e à cultura e, obviamente, de todo o rede de amizades e relações sociais que com o tempo foi tecendo em seu redor. Grande parte das peças foram compradas em feiras de antiguidades, principalmente na feira de "San Telmo" em Buenos Aires, na "Porta Portese" em Roma, no "Mercado das Pulgas" em Paris e na feira de "Porto Belo" em Londres.

Constituído por 36 colecções, este acervo encontra-se, actualmente, todo inventariado, fotografado e inserido numa base de dados file maker. No entanto, existem dados de determinados objectos que são imprecisos. Aqui, temos de ter em conta que João Carlos Abreu colecciona por prazer, nunca pensou doar o seu acervo, daí não ter tido a preocupação de registar os objectos que ia comprando.

Passamos de seguida a enumerar, por ordem alfabética, as colecções de João Carlos Abreu, tentando descrever sucintamente cada uma delas.

11 Açucareiros 
Os açucareiros, em prata e casquinha, são maioritariamente portugueses e ingleses do século XIX.

28 Bengalas
As bengalas, dos séculos XIX e XX, cujo material varia entre o marfim, madeira, prata, casquinha e o metal, são de África, Espanha, Índia, Itália e Portugal.

11 Budas
Os Budas são maioritariamente da Tailândia e datam do século XX. São em madeira, bronze e porcelana, adornados com pedras semipreciosas e vidrilhos.

65 Bules e cafeteiras
Os bules e cafeteiras, em prata, casquinha e porcelana, são originários de Inglaterra, Suiça e Portugal, dos séculos  XIX e XX.

12 Cachimbos
Os cachimbos de marfim, metal, madeira, cerâmica e pele têm proveniência em países como África, China e Turquia e datam dos séculos  XIX e XX.

179 Caixinhas de comprimidos e de rapé
Datadas dos séculos XIX e XX, estas miniaturas têm por base o ouro, a prata, o metal e a porcelana, maioritariamente adornadas, quer por pinturas ou gravuras, quer por incrustações de pedras semipreciosas ou vidrilhos.

51 Candelabros
Em prata, casquinha, bronze, cristal, ferro, madeira, metal e porcelana, os candelabros mais antigos datam do século XVII. Grande parte dos exemplares é de origem europeia.

600 Cavalos
Apesar de não ser a colecção com mais exemplares, é com certeza, aquela que desde sempre cativou o seu coleccionador: "Desde pequeno que compro cavalos. O cavalo fascina-me porque tanto tem de guerreiro quanto de dócil, bonito e inteligente.".

É uma colecção extremamente heterogénea, uma vez que encontramos cavalos de cerca de 100 países, dos materiais mais variáveis e de uma antiguidade que vai desde o século XV ao século XXI. O cavalo mais antigo do acervo, é atribuído à Dinastia Ming, século XV.

24 Chapéus
João Carlos Abreu adquiriu, na década de 80, dois chapéus, um no Nepal, em tecido bordado e em prata batida com moedas a adornar, e um outro na Turquia, com uma cauda bordada destinado às noivas locais. Em 2004, já depois de aberto ao público o "Universo de Memórias", o coleccionador recebeu de uma amiga alemã 20 chapéus dos anos 20 e 30, que de imediato doou à Região. Em Abril de 2008, aquando da sua viagem ao Peru e à Colômbia, adquiriu e doou à Instituição, mais dois chapéus.

130 Colheres de chá
A maior parte das colheres são em prata com o símbolo do país de origem no topo. Encontram-se expostas e emolduradas na Casa de Chá do "Universo de Memórias".

4 Crucifixos
Embora seja esta a colecção com menor número de objectos, é uma das mais representativas devido à qualidade e antiguidade dos exemplares. Aqui, encontramos a peça mais antiga das colecções de João Carlos Abreu. Trata-se de um crucifixo de origem bizantina, datado do século XI e adquirido na URSS. Por causa desta peça João Carlos Abreu foi preso no aeroporto e ficou sobre interrogatório cerca de duas horas. Trazia consigo 2 crucifixos que, só acabaram por sair daquele país porque o coleccionador alegou terem sido oferecidos por um amigo seu.

1000 Gravatas 
Esta é a segunda maior colecção de João Carlos Abreu, é o símbolo do "Universo de Memórias". Encontramos gravatas em seda, penas e madeira, grande parte assinadas pelos grandes costureiros europeus e americanos dos séculos  XX e XXI.

170 Esculturas 
Esta colecção é constituída por 126 esculturas de cariz profano e 44 de cariz religioso. Em madeira, porcelana, barro, terracota e bronze, estes exemplares são oriundos dos quatro cantos do mundo. A maioria é do século XX, encontrando-se ainda exemplares dos séculos  XVII e XVIII.

58 Garrafas 
São garrafas em cristal e vidro adornados a prata, madeira ou pintadas à mão. Grande parte da colecção é originária dos séculos XIX e XX e de cidades europeias como Lisboa, Londres e Veneza.

14 Incenseiros
Do século  XX, oriundos de Portugal, Espanha, Itália e Turquia. Apresentam-se em prata, casquinha e metal.

14 Instrumentos musicais
Em madeira, latão e casca de coco simples, com embutidos ou pinturas, encontramos no "Universo de Memórias"  violas, guitarras, braguinhas, trombones, cornetas e cítaras. São oriundos da Ásia, Áustria, Brasil, Itália e Portugal.

470 Jóias 
Esta colecção contém 365 peças de ourivesaria e 105 jóias de cena. Inclui colares, anéis, alfinetes de peito, cruzes, tiaras e pulseiras em prata e ouro. As jóias de cena constituem, segundo o coleccionador, "(…) o testemunho de uma grande sensibilidade de artesãos que tão hábil e minuciosamente constroem autenticas maravilhas.".

Neste conjunto encontra-se um exemplar da Costa do marfim, em ferro batido, atribuído à Idade Média Tardia (séculos XIV-XV).

A maioria destas peças data dos séculos XIX e XX e são oriundas de vários países da África,  América, Ásia e Europa. Nesta colecção o destaque vai para as 26 cruzes, em ourivesaria e/ou fantasia que primam pela diversidade de cores, tamanhos e brilho. Distinguimos igualmente as 57 borboletas em filigrana portuguesa em ouro e prata.

20 Ícones
Coleccionar ícones demonstra o respeito e admiração, de um católico como João Carlos Abreu, pela arte sacra da Igreja ortodoxa. São ícones maioritariamente russos, embora possamos encontrar exemplares gregos e polacos. Grande parte dos ícones originários da antiga URSS saíram do país clandestinamente, por debaixo do casaco, como afirma o coleccionador. As datas dos exemplares são muito imprecisas, mas, segundo alguns especialistas, a maioria são dos séculos XIX e XX, havendo pelo menos um exemplar do século XVII e outro do século  XVIII.

5 Leques
É uma colecção diversificada no tempo no espaço e na forma. Datados dos séculos XIX e XX, podemos encontrar um exemplar por país – Espanha, Itália, França, China e Japão. São em seda, papel de arroz e tecido, com armação em madeira, marfim e polipropileno. A maior parte deles são adornados com pinturas manuais.

10 000 Livros 
Esta é a colecção mais extensa e é também aquela que nunca deixou de exercer a função para a qual foi criada – a leitura e/ou consulta. Não é uma colecção que prime pela qualidade das encadernações, embora existam determinadas enciclopédias encadernadas em pele com inscrições a ouro, mas pela diversidade de assuntos. Está catalogada segundo a "Classificação Decimal Universal" e os seus dados estão inseridos numa base de dados informática criada para esse efeito pelo técnico do "Universo de Memórias " encarregue desse serviço.

12 Máquinas de escrever
Estas máquinas de escrever foram oferecidas a João Carlos Abreu pelos familiares do Professor Mário Sobrinho. Mesmo não sendo adquiridas pelo próprio coleccionador evocam os seus tempos de jornalista e portanto não deixam de ser marcos da sua memória.

101 Marionetas do teatro de sombras da Indonésia
As personagens incluem reis, princesas, gigantes, deuses, demónios e cidadãos, que se distinguem através das feições e das cores. Apresentam-se em pele, madeira policromada e tecido. A marioneta mais antiga data de 1910, é de Bali, feita em pele recortada e pintada. As restantes, de Bali e Java são dos anos 50 do século  XX.

41 Máscaras
As máscaras são todas do século XX, provenientes de Veneza, de vários países de África, da China, da Indonésia, da Índia e do Sri Lanka.

248 Móveis
(…) Durante algum tempo tinha na ideia abrir um antiquário, o problema foi vender as peças…gostava de tudo!

Encontramos nesta colecção peças de mobiliário que vão desde o século XVII à actualidade. São provenientes da China, Índia, Portugal, Espanha, França, Itália e Inglaterra.

6 Ovos de avestruz
Pintados manualmente ou decorados com técnicas apropriadas, o ovo mais antigo é chinês e data de meados do século XIX, os restantes são do século XX, da África do Sul e Marrocos.

55 Pastores Napolitanos
Em terracota e tecido, o pastor mais antigo data do século  XVII, os restantes são do século XX. De referir que, sempre que João Carlos Abreu vai a Nápoles adquire um pastor. São todos feitos pelo mesmo artesão, estão devidamente assinados e têm a característica de terem todos as mesmas feições mas com expressões faciais diferentes.

177 Patos 
São 177 patos, em barro, cobre, madeira, metal, porcelana e vidro. Encontram-se numa vitrine da Casa de Chá do "Universo de Memórias". São do século XX e provêm dos quatro continentes visitados por João Carlos Abreu.

7 Peças de estampar tecidos 
Existem 6 peças em bloco, com baixos-relevos, da América Latina, Nepal e Tibete e 1 rolo de estampagem com alto-relevo de cobre, originária da China. São todas de meados do século XX.

13 Pentes 
Os pentes espanhóis e portugueses destinavam-se ao adorno de cabelos, os pentes de origem africana para penteá-los. São em madeira, marfim, metal e prata e datam dos séculos XIX e XX.

897 Porcelanas
As porcelanas (chávenas, pratos, jarrões, urnas, potes, …) constituem a terceira maior colecção de João Carlos Abreu. São oriundas de todos os países europeus, da China, da Índia, do Japão, da América e da África. A peça mais antiga é um prato branco e azul atribuído à dinastia Ming reinado Shenghna (1464 -1487). De grande importância são também duas urnas de Sèvres e uma colecção de pratos Companhia das Índias.

424 Quadros
Nesta categoria incluem-se as pinturas, litografias, serigrafias, gravuras e desenhos, dos mais diversos estilos, correntes artísticas, técnicas e materiais. As pinturas mais antigas, dois óleos sobre madeira, são provenientes da Holanda e referenciadas como sendo do século XVII. Existe uma grande colectânea de pinturas de artistas regionais, de artistas continentais e de artistas internacionais.

32 Relógios
Embora existam alguns exemplares de parede e de caixa, a grande maioria são relógios de bolso em prata e ouro dos séculos  XVIII, XIX e XX.

8 Samovares
No "Universo de Memórias" encontram-se samovares, em prata, casquinha e latão. Datam dos séculos XIX e XX.

5 Scrimshaws
São exemplares de dentes de cachalote gravados com motivos da Região pelo madeirense Manuel da Cunha.

32 Sinetas
São sinetas europeias e asiáticas, em casquinha, prata, latão, metal e porcelana, do século XX.

10 Talhas
De diversos tipos de madeira, estas talhas são feitas por artistas italianos e indonésios. A referência vai para um exemplar em pinho da madeirense Guilhermina da Luz.

 

Thursday, May 28, 2020